ÁGUA DOCE PARA AS FADAS
"Anotar na agenda mental: reler Fernando Pessoa, principalmente Alberto Caeiro; re-ouvir Terra de Caetano; reler aqueles poemas zen póstumos de Cecília Meireles. Ou não reler nem ouvir nada. Pegar as pedras fortemente, apertá-las contra o penito, comprimir a cabeça e o corpo inteiro contra as árvores, pisar descalço na terra, colocar balas e doces (sempre em número ímpar) ao pé das árvores grandes para os duendes e devas e erês comerem e ficarem teus amigos, deixar na cabeceira toda noite copos de água com açucar para as fadas virem beber de madrugada. Acender velas para chamar Luz, jogar rosas amarelas nas águas dos rios para Oxum."
Caio Fernando Abreu - Cartas

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