aLGuNS De MeuS SiLêNCioS...

Apenas alguns textos sobre o meu dia, o que faço, resenhas... Pensamentos soltos... Registros dos meus "sagrados" momentos de silêncio.

terça-feira, novembro 14, 2006

Su boquita no paraba de hablar...

Uma noite tão escura que até os gatos esbarravam uns nos outros...

"Todos os porres são o mesmo porre. Não é de uma vez que se morre". (Quintana)

E ele nem tinha cara de quem sabia o que era um porre e, muito menos, todos os porres...
Não sei se todos os porres são o mesmo... Mas as paredes ao meu redor giram sempre para o mesmo lado.
E depois de girar, girar, girar, sempre os mesmos olhos me constrangem... e são os mesmos olhos que me despem e me excitam.
Se tudo isso é sempre a mesma coisa, por quê o calendário mostra dias diferentes? E o relógio, por quê trabalha?
Acordo com a dor-de-cabeça de sempre, mas nem sempre é meio-dia. Às vezes está chovendo; às vezes faz calor. E quando está calor, os dias são outros. Meus desejos e pesadelos também. Quando chove e fica tudo molhado, todos morrem por uns instantes. Eu fico só, na escuridão de meus suspiros. Indecifráveis para mim. Eu fico só, no escuro tão escuro que sufoca. Eu não fico cega, embora não possa ver. Eu vejo o que a luz é incapaz de atingir. O que os suspiros não podem comover. O que a ressaca não consegue vomitar. O que até mesmo a maior das escuridões não apagou. E eu tenho medo do escuro.

Numa madrugada dessas de temporal, a luz acabou depois de um trovão. Acordei apavorada. Eu sonhava que via a praia. E me surpreendi, pois eu estava surfando. A visão do esverdeado do mar me fascinava e meu corpo era todo euforia - amo o mar. Enquanto trovoava e eu saía aos poucos do subterrâneo do meu inconsciênte sonhador, ainda em cima da prancha, num turbilhão, falei bem alto para mim mesma: "eu não sei nadar!"

Eu não sei nadar!

Não... nem todos os porres são o mesmo porre...
Nem é de uma vez que se morre!