aLGuNS De MeuS SiLêNCioS...

Apenas alguns textos sobre o meu dia, o que faço, resenhas... Pensamentos soltos... Registros dos meus "sagrados" momentos de silêncio.

sexta-feira, setembro 01, 2006

AGORA EU ERA O HERÓI E O MEU CAVALO SÓ FALAVA INGLÊS. A NOIVA DO COWBOY ERA VOCÊ, ALÉM DAS OUTRAS TRÊS...

Bah! Disseram que este show vem para Porto Alegre...
Tomara que sim... Divido com vcs o texto do site www.terra.com.br


Chico mostra timidez e fascínio em estréia em SP

Ricardo Pieralini

Chico Buarque estreou sua nova turnê em São Paulo, na noite desta quarta-feira, com um repertório que incluiu poucos clássicos e o jeito tímido e calado de sempre. Fascínio para fãs, a quietude foi abafada apenas no bis, quando os sucessos antigos apareceram.
A apresentação no Tom Brasil Nações Unidas começou às 22h, com Voltei a Cantar, de Lamartine Babo. Quase uma vinheta para introduzir o Chico do Rio e de toda a atmosfera carioca - nome que batiza a nova turnê, que chega após sete anos de ausência dos palcos.
A primeira parte do repertório teve os versos populares de Morena de Angola, as poesias românticas de Renata Maria e Porque Era Ela, Porque Era Eu e a ginga de O Futebol.
Todo o repertório de Carioca, o disco, esteve presente. Assim como alguns quase-clássicos, como Bye Bye Brasil e As Vitrines. Praticamente sem falar com a platéia, exceto por alguns agradecimentos contidos, Chico se aventurou na calimba (instrumento de percussão) em Morena de Angola e tocou tamborim para que o baterista Wilson das Neves desse sua contribuição vocal em Grande Hotel. Já na parte final da apresentação, Futuros Amantes arrancou aplausos entusiasmados do público. Mas foi com o bis, iniciado após 90 minutos de show, que a platéia delirou - ao ouvir novamente o Chico dos clássicos.
Ele cantou os sambas Sem Compromisso e Deixe a Menina e deixou o palco ovacionado. Voltou segundos depois para o clássico Quem Te Viu, Quem Te Vê. E, quando muita gente já saía do Tom Brasil, Chico reapareceu para fechar o espetáculo em clima lúdico, com João e Maria.
Carioca teve, em sua estréia, pouco menos de duas horas de músicas. Quase não se ouviu interrupções por parte de Chico Buarque. E a timidez, como sempre, foi enorme aliada para arrancar aplausos e suspiros femininos.
A temporada de Chico Buarque em São Paulo segue até o dia 15 de outubro, sempre com shows às sextas, sábados e domingos. Depois da capital paulista, o cantor e compositor embarca para uma série de apresentações em Portugal.

quinta-feira, agosto 31, 2006

PARA UMA AVENCA PARTINDO

Alguns livros são como música, pelo menos para mim...
A gente devia ler/ouvir sempre!
Decorar trechos. Quem sabe, dançar com eles pela sala. Acordar num dia
de folga recitando suas palavras. Repetir inúmeras vezes uma mesma
frase que ficou na nossa cabeça. Lembrar de pessoas e acontecimentos ao
lê-los. Nos dar a chance de "re-entendê-los" a cada vez, (como acontece
com as canções, embora nem sempre, nos demos conta disso).


Eu sou louca por este texto e em um dia como hoje, quente/frio, a minha
fuga perfeita inicia entre essas páginas do "inventário do
ir-remediável
" (1995), do meu clássico companheiro de dias estranhos
assim, Caio Fernando Abreu.

Olha, antes do ônibus partir eu tenho uma porção de coisas pra te
dizer, dessas coisas assim que não se dizem costumeiramente, sabe,
dessas coisas tão difíceis de serem ditas que geralmente ficam caladas
,
porque nunca se sabe nem como serão ditas nem como serão ouvidas,
compreende? Olha, falta muito pouco tempo, e se eu não te disser agora
talvez não diga nunca mais, porque tanto eu como você sentiremos uma
falta enorme dessas coisas, e se elas não chegarem a ser ditas nem eu
nem você nos sentiremos satisfeitos com tudo que existimos, porque elas
não foram existidas completamente, entende, porque as vivemos apenas
naquela dimensão em que é permitido viver, não, não é isso que eu quero
dizer, não existe uma dimensão permitida e uma outra proibida,
indevassável, não me entenda mal, mas é que a gente tem tanto medo de
penetrar naquilo que não sabe se terá coragem de viver, no mais fundo,
eu quero dizer, é isso mesmo, você está acompanhando meu raciocínio?
Falava do mais fundo, desse que existe em você, em mim, em todos esses
outros com suas malas, suas bolsas, suas maçãs, não, não sei porque
todo mundo compra maçãs antes de viajar, nunca tinha pensado nisso, por
favor, não me interrompa, realmente não sei, existem coisas que a gente
ainda não pensou, que a gente talvez nunca pense, eu, por exemplo,
nunca pensei que houvesse alguma coisa a dizer além de tudo o que já
foi dito, ou melhor pensei sim, não, pensar propriamente dito não, mas
eu sabia, é verdade que eu sabia, que havia uma outra coisa atrás e
além das nossas mãos dadas, dos nossos corpos nus, eu dentro de você, e
mesmo atrás dos silêncios, aqueles silêncios saciados, quando a gente
descobria alguma coisa pequena para observar, um fio de luz coado pela
janela, um latido de cão no meio da noite, você sabe que eu não falaria
dessas coisas se não tivesse a certeza de que você sentia o mesmo que
eu a respeito dos fios de luz, dos latidos de cães, é, eu não falaria,
uma vez eu disse que a nossa diferença fundamental é que você era capaz
apenas de viver as superfícies, enquanto eu era capaz de ir ao mais
fundo, você riu porque eu dizia que não era cantando desvairadamente
até ficar rouca que você ia conseguir saber alguma coisa a respeito de
si própria, mas sabe, você tinha razão em rir daquele jeito porque eu
também não tinha me dado conta de que enquanto ia dizendo aquelas
coisas eu também cantava desvairadamente até ficar rouco, o que eu
quero dizer é que nós dois cantamos desvairadamente até agora sem nos
darmos contas, é por isso que estou tão rouco assim, não, não é dessa
coisa de garganta que falo, é de uma outra de dentro, entende? Por
favor, não ria dessa maneira nem fique consultando o relógio o tempo
todo, não é preciso, deixa eu te dizer antes que o ônibus parta que
você cresceu em mim de um jeito completamente insuspeitado, assim como
se você fosse apenas uma semente e eu plantasse você esperando ver uma
plantinha qualquer, pequena, rala, uma avenca, talvez samambaia, no
máximo uma roseira, é, não estou sendo agressivo não, esperava de você
apenas coisas assim, avenca, samambaia, roseira, mas nunca, em nenhum
momento essa coisa enorme que me obrigou a abrir todas as janelas, e
depois as portas, e pouco a pouco derrubar todas as paredes e arrancar
o telhado para que você crescesse livremente, você não cresceria se eu
a mantivesse presa num pequeno vaso, eu compreendi a tempo que você
precisava de muito espaço, claro, claro que eu compro uma revista pra
você, eu sei, é bom ler durante a viagem, embora eu prefira ficar
olhando pela janela e pensando coisas, estas mesmas coisas que estou
tentando dizer a você sem conseguir, por favor, me ajuda, senão vai ser
muito tarde, daqui a pouco não vai mais ser possível, e se eu não
disser tudo não poderei nem dizer e nem fazer mais nada, é preciso que
a gente tente de todas as maneiras, é o que estou fazendo, sim, esta é
minha última tentativa, olha, é bom você pegar sua passagem, porque
você sempre perde tudo nessa sua bolsa, não sei como é que você
consegue, é bom você ficar com ela na mão para evitar qualquer atraso,
sim, é bom evitar os atrasos, mas agora escuta: eu queria te dizer uma
porção de coisas, de uma porção de noites, ou tardes, ou manhãs, não
importa a cor, é, a cor, o tempo é só uma questão de cor não é? Por
isso não importa, eu queria era te dizer dessas vezes em que eu te
deixava e depois saía sozinho, pensando também nas coisas que eu não ia
te dizer, porque existem coisas terríveis, eu me perguntava se você era
capaz de ouvir, sim, era preciso estar disponível para ouvi-las,
disponível em relação a quê? Não sei, não me interrompa agora que estou
quase conseguindo, disponível só, não é uma palavra bonita? Sabe, eu me
perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas
aquilo que eu queria ver em você, eu queria saber até que ponto você
não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e se era assim, até
quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam
e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e
pensava que ama era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir
ver, entende? Dolorido-colorido, estou repetindo devagar para que você
possa compreender, melhor, claro que eu dou um cigarro pra você, não,
ainda não, faltam uns cinco minutos, eu sei que não devia fumar tanto,
é eu sei que os meus dentes estão ficando escuros, e essa tosse
intolerável, você acha mesmo a minha tosse intolerável? Eu estava
dizendo, o que é mesmo que eu estava dizendo? Ah: sabe, entre duas
pessoas essas coisas sempre devem ser ditas, o fato de você achar minha
tosse intolerável, por exemplo, eu poderia me aprofundar nisso e
concluir que você não gosta de mim o suficiente, porque se você
gostasse, gostaria também da minha tosse, dos meus dentes escuros, mas
não aprofundando não concluo nada, fico só querendo te dizer de como eu
te esperava quando a gente marcava qualquer coisa, de como eu olhava o
relógio e andava de lá pra cá sem pensar definidamente e nada, mas não,
não é isso, eu ainda queria chegar mais perto daquilo que está lá no
centro e que um dia destes eu descobri existindo, porque eu nem supunha
que existisse, acho que foi o fato de você partir que me fez descobrir
tantas coisas, espera um pouco, eu vou te dizer de todas as coisas, é
por isso que estou falando, fecha a revista, por favor, olha, se você
não prestar muita atenção você não vai conseguir entender nada, sei,
sei, eu também gosto muito do Peter Fonda, mas isso agora não tem
nenhuma importância, é fundamental que você escute todas as palavras,
todas, e não fique tentando descobrir sentidos ocultos por trás do que
estou dizendo, sim, eu reconheço que muitas vezes falei por metáforas,
e que é chatíssimo falar por metáforas, pelo menos para quem ouve, e
depois, você sabe, eu sempre tive essa preocupação idiota de dizer
apenas coisas que não ferissem, está bem, eu espero aqui do lado da
janela, é melhor mesmo você subir, continuamos conversando enquanto o
ônibus não sai, espera, as maçãs ficam comigo, é muito importante, vou
dizer tudo numa só frase, você vai ......... ............ .............
............ .......... ........... ............. ............
............ ............ ......... ........... ............
............ sim, eu sei, eu vou escrever, não eu não vou escrever, mas
é bom você botar um casaco, está esfriando tanto, depois, na estrada,
olha, antes do ônibus partir eu quero te dizer uma porção de coisas,
será que vai dar tempo? Escuta, não fecha a janela, está tudo definido
aqui dentro, é só uma coisa, espera um pouco mais, depois você arruma
as malas e as botas, fica tranqüila, esse velho não vai incomodar você,
olha, eu ainda não disse tudo, e a culpa é única e exclusivamente sua,
por que você fica sempre me interrompendo e me fazendo suspeitar que
você não passa mesmo duma simples avenca? Eu preciso de muito silêncio
e de muita concentração para dizer todas as coisas que eu tinha pra te
dizer, olha, antes de você ir embora eu quero te dizer quê.

quarta-feira, agosto 30, 2006

Saudades até de tc no MSN...
Mas eu já estava ficando louca... Mta informação descontrolada. Pouco tempo para pensar antes de escrever e alguns "mal-entendidos"...
Não volto!!!
Sigo disponível (quase que 24 horas) pelos e-mails que preferirem...
Não volto!!!

Dois "verselhos" que se inventaram entre as últimas conversas no MSN com as amigas Karol (POA-RS) e Mônica (SP-SP)
Bjs p vcs!

CADA MACACO NO SEU GALHO (Para Karol)

Eu vivo pulando de galho em galho
Como um macaco atordoado
Procurando a sua banana
Na bananeira do pátio ao lado

* * *

DISSONANTE (Para Mônica)

A garoa
Delicadamente soa
Junto ao vidro da janela
Que deixei aberta
Para te ver passar
E me libertar
Ainda que por um segundo
Das grades frias da dissonância do mundo

Jainara Martiny

O MEU RELOGINHO

O pêndulo imponente
Me lembra do tempo
Que se esvai com a areia.
Tique-taqueia, meu reloginho,
Tique-taqueia.

Pro tempo passar.
Que eu espero, espero
A pêra cair de madura
Com as minhas mão para o ar.

Tique-taqueia, meu reloginho,
Tique-taqueia.
Deixa eu contar os teus segundos.
Mais perto chega teu fim,
Mais perto o começo do meu novo mundo...

Jainara Martiny

terça-feira, agosto 29, 2006

Atendendo aos pedidos:

OS COMENTÁRIOS VOLTARAM!!!

Comentem! ;-)

QUE SONHO LOUCO

Que sonho louco
O de ficar te olhando
Tão perto enquanto
Me conta uma história
Vejo as estrelinhas
Dos seus olhos piscarem para mim.
Um terremoto atinge a terra,
Parte o solo.
Muitos correm apavorados
Fogem - tolos despreparados!
O tremor devasta as minhas florestas
E é só a abertura de mais um abismo:
O abismo do seu sorriso...

Jainara Martiny

segunda-feira, agosto 28, 2006

TRANSFIGURAÇÃO

A cegueira cobriu qualquer memória.

Não me sustento sem ver o chão.
Tantos olhos amargos
Mirando à minha direção.

Grandes bocas infames para me desanimar.
E o que tem de mal em chorar?
É tão inesperada e fluente a primeira lágrima.
E sempre te vejo no oculto desse úmido olhar.

Não durmo no escuro para nunca me perder
Entre as sombras dos meus sonhos doentes.
E sempre te ouço assobiando o meu próximo amanhecer

Há feridas em meus pulsos, costas, alma...
E eu te sinto tão aberto em meu abraço,
Transfigurando a minha perturbação em calma.



Jainara Martiny

SEI LAH

Pq será q eu insito em pensar q isso não tem nada de mais...

Sei lá...

Eu só acho que não ter todas as respostas esperadas não é o fim do mundo! Eu não sei direito o que ando fazendo, mas estou acordando todos os dias e rumando para destinos e pensamentos diferentes. Já sei diferenciar alguns túneis. Sei algumas coisas que não se deve fazer. Palavras que não se deve dizer. Conceitos que não se pode ter...
Sobre o que se pode???
Não, não sei... Não sei ainda o que posso fazer.
Mas posso tentar por eliminatória, não posso???

;-)

UMA RESPOSTA...

Nada (28/08/2006)

De que me adianta ter a alma própria e inteira
Se eu pensar em nada?
À pensar em nada
Valha-me largar a alma numa sala de janelas.
Sem espelhos e sem ninguém.
Sem olhos ou abraços.
Sem dúvidas, lágrima, sem
Algum desencanto para dividir.
Se eu pensar em nada
Nada ei de me tornar
E em um frio pote de barro
Minha alma, inconscientemente, vou enterrar.

Jainara Martiny