TRANSFIGURAÇÃO
A cegueira cobriu qualquer memória.
Não me sustento sem ver o chão.
Tantos olhos amargos
Mirando à minha direção.
Grandes bocas infames para me desanimar.
E o que tem de mal em chorar?
É tão inesperada e fluente a primeira lágrima.
E sempre te vejo no oculto desse úmido olhar.
Não durmo no escuro para nunca me perder
Entre as sombras dos meus sonhos doentes.
E sempre te ouço assobiando o meu próximo amanhecer
Há feridas em meus pulsos, costas, alma...
E eu te sinto tão aberto em meu abraço,
Transfigurando a minha perturbação em calma.
Jainara Martiny


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